Para compreender o que é felicidade devemos tirar todos os elementos estranhos como quem restaura um quadro antigo coberto de sujeira até surgir a imagem verdadeira. A felicidade é um estado emocional? Não! Emoções fazem parte de nós, de nossa inteligência, mas são mutáveis. A felicidade deveria ser contínua, não apenas surtos ocasionais de prazer, alegria, êxtase ou euforia. A euforia atrapalha e impede a concentração (que o digam os apaixonados!). É preciso estabilidade emocional para continuar a vida, estudar, edificar o lar ou educar filhos.
Buscar sempre a euforia me faria perder a vida caçando um fantasma que desaparece ao ser tocado. Seria infantil! A vida só se realiza em algo cujo valor justifique sua existência. Os resultados da vida precisam exceder o valor da própria existência para que esta seja plena e feliz. Se viver somente para prazeres, serei vazio. As verdadeiras realizações são relacionais, envolvem os outros, não objetos, nem mesmo pessoas como propriedade. A felicidade precisa ser compartilhada com alguém, é relacional. Não é possível ser feliz só. Se não viver por algo maior, ainda que me divirta muito, sofrerei enorme vazio existencial.
O caminho da felicidade pode passar pelas crises, pois elas nos amadurecem, fazem-nos sábios e melhores. Não há crescimento sem sofrimento e sacrifícios.
A felicidade é, portanto, ligada ao propósito da existência, subproduto de uma vida que cumpre plenamente a missão que Deus lhe deu. Vai além da emoção passageira, independe das circunstâncias; é satisfação com a própria vida. Perguntar: "Eu sou feliz?" trata do próprio sentido da vida: "Cumpro o meu propósito?" "Estou onde deveria estar?" "Sei quem eu deveria ser ou tento ser quem não sou?" "O caminho que trilho dará sentido à minha existência?"Ao conhecer o meu propósito, saberei o caminho da felicidade. Ao conhecer o meu Criador, conhecerei a felicidade.
- Agenda Smilinguido 2013, janeiro.
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